O nova-iorquino industrial

O nova-iorquino industrial

Tubulações aparentes e superfícies inacabadas hoje são vistas com outros olhos graças ao estilo industrial, que aos poucos conquistou seu espaço. Até mesmo naqueles projetos onde esse estilo não é o foco principal é possível perceber alguns elementos clássicos bem industriais.

Lâmpadas industriais - Foto por happydancing

Mas como ele surgiu? Quem teve a brilhante ideia de dizer que algo inacabado também poderia ser lindo?

Os primeiros edifícios industriais foram construídos no final do século XVIII, e eram construções estreitas, com lindas fachadas em tijolinhos e grandes janelas, para que o interior pudesse ser iluminado com muita luz natural.

Porém, o medo de incêndios chamou atenção para medidas de segurança e a partir daí a arquitetura industrial começou a se adaptar para evitar esse tipo de acontecimento. Companhias de seguros influenciaram diretamente as construções, desencorajando sótãos e apoiando planos abertos, fachadas simples e escadarias externas.

Fachada - Foto por Christian Mueller

Albert Kahn, um dos maiores arquitetos do design industrial, liderou uma mudança nas fábricas e armazéns, deixando-as muito mais parecidas com o que conhecemos hoje, com mais eficiência e novos materiais que tornaram possíveis construções maiores e mais longas.

Antes, cada operação era feita em diferentes edifícios, depois dessa transformações um mesmo prédio poderia comportar todo o processo, deixando a fabricação muito mais eficiente.

Graças às novas formas de fabricação, os pavilhões industriais tornaram-se maiores, exigindo cada vez mais espaço territorial, levando as fábricas para fora das cidades e áreas metropolitanas, deixando as antigas estruturas vazias e esquecidas.

As fábricas ganham uma nova função

No final dos anos 60, começa a acontecer a renovação desses espaços, até então abandonados, sendo inicialmente utilizados por artistas em função do baixo custo e também por possuírem uma estrutura aberta e com muita luz proveniente das suas amplas janelas.

À medida que designers de interiores e revistas começaram a glamourizar os lofts criados nesses galpões, a reutilização e a renovação desses espaços começou a levantar voo. Conceitos abertos e detalhes expostos tornaram-se características de uma estética de design que futuramente seria chamada de Estilo Industrial.

Loft - Foto por bezikus

Elementos como: tijolo, metal e madeira recuperada foram adotados pela comunidade da arquitetura e design, e o que era feito para baratear custos começa ter uma grande procura e custar mais caro do que alguns materiais nobres.

Aqui no Brasil, esse estilo começou a ser disseminado graças ao cinema. Como exemplo, temos o filme “Ghost”, um clássico de 1990, onde o apê do Sam e da Molly é um típico loft nova-iorquino.

Diferente dos americanos, nós escolhemos este estilo por gosto pessoal e não por necessidade. Porém, ao contrário dos grandes galpões com amplos lofts, aqui o estilo ganhou força graças aos pequenos kitnets, por possuir a inspiração necessária para ambientes totalmente integrados.

Mas antes de ser utilizado como moradia, ele ganhou visibilidade em ambientes comerciais, principalmente em cafés e restaurantes. Hoje, grande parte dos adeptos desse estilo possuem facilidade em mesclar elementos, fazendo com que um ambiente não seja apenas industrial, mas ganhe personalidade com a mistura de elementos característicos de outros estilos.

Dormitório - Foto por Radanasta

Durante a feira de Milão deste ano, pudemos perceber essa mistura, principalmente com elementos naturais, transformando o rústico industrial com o aconchego de outros estilos, criando algo completamente novo.

por Refresher